sábado, 25 de maio de 2013

Introdução


Introdução.




Há um estreita relação entre visão e movimento. No processo visual, olhos são a interface de dois meios distintos; no qual uma parte espectro de radiação eletromagnética irá sensibilizar células fotorreceptoras, transformando energia dos fótons em energia luminosa. Está é a parte inicial de um complexo maior conhecido como visão.
Supomos que os seres primitivos no processo evolutivo foram inicialmente capazes de realizar a etapa anterior e proporcionar-lhe um rudimentar sistema de localização espacial, uma das principais funções do sistema visual. Neste processo esses seres deveriam primordialmente ser  fototropistas e buscar a luz, principal fonte de energia para seus processos metabólicos mais simples.  Isso se observa até hoje em espécies de plantas.
Se seguirmos a lógica do processo evolutivo – saber onde está a luz – ou mover-se na sua direção foi fundamental para a sobrevivência. Sistemas seletivamente aprimorados já em seres multicelulares, com uma parte dedicada a captação. Surge a necessidade de distinção no espaço de áreas de sombra e luz. No momento em que houve uma abundancia de matéria orgânica, uma nova fonte de energia estava disponível e o seres que assim  foram selecionados para captarem essa nova fonte, num determinado momento deveriam ir buscar os locais onde estes estavam concentrados e é possível conceber que a concentração se dava em áreas com mais luz.1
Mover-se em direção da fonte de energia, guiado por receptores luminosos mais uma vez deve ter sido o motor evolutivo. Seguiu-se a sistemas cada vez mais complexos, capazes ainda de dar sentido de forma, cor e movimento. Num dado momento; a identificação de seres semelhantes no processo de reprodução.  Ser colorido e ter uma determinada forma, torno o indivíduo mais apto a conquistar a parceira sexual, espantar o predador natural, ou mesmo, no sentido contrário tornar-se perceptível como não agressor ou receptivo para outra espécie.
Mesmo que alguma espécie não use sistemas semelhantes e tenha outros modelos mais eficientes, a visão é predomina na reino animal.
Houve uma época em a maioria das espécies de mamíferos apresentavam hábitos noturnos2, com total adaptação a ambientes escuros, papel desempenhado pelos bastonetes.  Na mesma época, os dinossauros eram os reis da luz do dia, é provavelmente apresentavam visão de cores, como ainda é encontrado nos repteis atuais. Com a ascensão dos mamíferos que ocuparam o espaço deixado pelos grandes répteis, um sistema dicromático e tricromático (vermelho, verde e azul) e até tetracromáticos, para percepção de cores, e a presença de células especializadas, os cones, foi selecionado. Um dieta de frutas pode ser uma explicação. Frutas são uma forma de disseminação de espécies plantas, e cores atrativas, ou ainda, na linguagem das cores – não sou venenosa – poderia atrair para o bem (ou para mal) animais frugíferos.
Nesses animais, encontrávamos igualmente um sistema visual que comportava um campo de visão central e periférico e a capacidade de escrutinar o ambiente ao redor do corpo e localizar-se no espaço. Ter noção das distâncias entre distâncias de objetos e localiza-los no espaço. Duas formas de campo; panorâmicos pouco sobreposto e sobrepostos com visão binocular são divergiram na evolução3.
            Compartilhamos com outros primatas um sistema que exige total coordenação entre a movimentação e simetria posicional entre os olhos, do contrário, um efeito fisiológico da sobreposição poderia tornar-se um problema. A diplopia, resultante de desalinhamento dos olhos. Os estrabismos.

1)   Eye Evolution: http://learn.genetics.utah.edu/content/variation/eye/
2)   Dawkins, R: A Grande História da Evolução: Na trilha dos nossos ancestrais. São Paulo, CIA da Letras, pag. 184-185
3)   Heesy, C. Seeing in Stereo: The Ecology and Evolution of Primate Binocular Vision and Stereopsis. Evolutionary Anthropology 18:21_35 (2009) 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Apresentação

Este espaço é dedicado ao estudo da motilidade ocular e seus transtornos. Os estrabismos terão aqui destaque espacial. Do mesmo modo, as ciências básicas que lhe dão suporte e as relações com as outras especialidades oftalmológicas e médicas. Embora a linguagem aqui utilizada não tenha a mesma formalidade e pretensão de publicação científica, terei o mesmo cuidado científico de referenciar sempre que possível nossas afirmações afim de tornar o texto digno da critica de nossos leitores. Assim, peço aqueles que queiram corrigir ou colaborar com as devidas correções sejam bem vindos, principalmente aqueles que amam tanto a ciência como eu.