Introdução.
Há um estreita relação entre visão e movimento. No processo
visual, olhos são a interface de dois meios distintos; no qual uma parte
espectro de radiação eletromagnética irá sensibilizar células fotorreceptoras,
transformando energia dos fótons em energia luminosa. Está é a parte inicial de
um complexo maior conhecido como visão.
Supomos que os seres primitivos no processo evolutivo foram
inicialmente capazes de realizar a etapa anterior e proporcionar-lhe um
rudimentar sistema de localização espacial, uma das principais funções do
sistema visual. Neste processo esses seres deveriam primordialmente ser fototropistas e buscar a luz, principal fonte
de energia para seus processos metabólicos mais simples. Isso se observa até hoje em espécies de
plantas.
Se seguirmos a lógica do processo evolutivo – saber onde está
a luz – ou mover-se na sua direção foi fundamental para a sobrevivência.
Sistemas seletivamente aprimorados já em seres multicelulares, com uma parte
dedicada a captação. Surge a necessidade de distinção no espaço de áreas de
sombra e luz. No momento em que houve uma abundancia de matéria orgânica, uma
nova fonte de energia estava disponível e o seres que assim foram selecionados para captarem essa nova
fonte, num determinado momento deveriam ir buscar os locais onde estes estavam
concentrados e é possível conceber que a concentração se dava em áreas com mais
luz.1
Mover-se em direção da fonte de energia, guiado por
receptores luminosos mais uma vez deve ter sido o motor evolutivo. Seguiu-se a
sistemas cada vez mais complexos, capazes ainda de dar sentido de forma, cor e
movimento. Num dado momento; a identificação de seres semelhantes no processo
de reprodução. Ser colorido e ter uma
determinada forma, torno o indivíduo mais apto a conquistar a parceira sexual,
espantar o predador natural, ou mesmo, no sentido contrário tornar-se
perceptível como não agressor ou receptivo para outra espécie.
Mesmo que alguma espécie não use sistemas semelhantes e tenha
outros modelos mais eficientes, a visão é predomina na reino animal.
Houve uma época em a maioria das espécies de mamíferos
apresentavam hábitos noturnos2, com total adaptação a ambientes
escuros, papel desempenhado pelos bastonetes. Na mesma época, os dinossauros eram os reis da
luz do dia, é provavelmente apresentavam visão de cores, como ainda é
encontrado nos repteis atuais. Com a ascensão dos mamíferos que ocuparam o
espaço deixado pelos grandes répteis, um sistema dicromático e tricromático (vermelho,
verde e azul) e até tetracromáticos, para percepção de cores, e a presença de
células especializadas, os cones, foi selecionado. Um dieta de frutas pode ser
uma explicação. Frutas são uma forma de disseminação de espécies plantas, e
cores atrativas, ou ainda, na linguagem das cores – não sou venenosa – poderia
atrair para o bem (ou para mal) animais frugíferos.
Nesses animais, encontrávamos igualmente um sistema visual
que comportava um campo de visão central e periférico e a capacidade de
escrutinar o ambiente ao redor do corpo e localizar-se no espaço. Ter noção das
distâncias entre distâncias de objetos e localiza-los no espaço. Duas formas de
campo; panorâmicos pouco sobreposto e sobrepostos com visão binocular são
divergiram na evolução3.
Compartilhamos
com outros primatas um sistema que exige total coordenação entre a movimentação
e simetria posicional entre os olhos, do contrário, um efeito fisiológico da
sobreposição poderia tornar-se um problema. A diplopia, resultante de
desalinhamento dos olhos. Os estrabismos.
1)
Eye Evolution: http://learn.genetics.utah.edu/content/variation/eye/
2)
Dawkins, R: A Grande História da Evolução: Na
trilha dos nossos ancestrais. São Paulo, CIA da Letras, pag. 184-185
3)
Heesy, C.
Seeing in Stereo: The Ecology and Evolution of Primate Binocular Vision and
Stereopsis. Evolutionary Anthropology 18:21_35 (2009)